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17 de outubro de 2026

David Kwon se abre pra gente em DARKROOM, Impopers nº15

 


 David Kwon é um artista coreano de TTS (Oddcast, Loquendo, Ivona, etc), fruto do IMPOP. Sua carreira é repleta de altos e baixos: picuinhas, dramas e contratempos. Seu canal principal no Youtube foi excluído por ele mesmo sem querer em 2023, o obrigando a começar do zero. Ele é o fundador da gravadora Praia Iluminada, responsável por debutar as cantoras Rudmental, Pamella Frederico e Adriana Carper. Suas musicas geralmente abordam criticas socioeconômicas, e como a arte geralmente faz: tenta incomodar em alguns assuntos abordados, as vezes de maneira muito crua. Ele tem um hyperfoco no cristianismo e uma personalidade idiossincrática. Atualmente lançou seu novo álbum: DARKROOM, que conta suas aventuras sexuais com homens aleatórios enquanto filosofa sobre suas relações sociais e econômicas.

Após seu último álbum (Delírio Melancólico) que trazia uma abordagem mais intimista e depressiva, David decidiu voltar com uma pegada mais dançante e safada, com o ultrajante DARKROOM, um álbum extremamente sexual, mas de longe genérico, ele não se entrega aos vícios do gênero, onde geralmente se apela para o lado humorístico, quase que sempre transformando o que seria aventuras sexuais femininas em uma paródia misógina, característico do humor gay milenial. David Kwon é artista, logo existe motivos por trás de suas faixas. Elas trazem identidade e histórias. Por mais que as vezes soe constrangedor. DEPOIS DE UM DIA DE CÃO, nós vemos o David Kwon dizendo que quer cu. Mas semiótica é importante e ninguém vê essa passiva coreana como ativo, é claro que isso é culpa dos papéis de gênero e homofobia enraizada. A musica é bem produzida e o refrão diverte, caso você não seja cretino como eu. 

Mas o álbum começa é com a potente DARKROOM, parceria com Shaniqua Shonda. Definitivamente um dos singles mais potentes comercialmente falando que David Kwon já teve em sua vida. Conseguindo mesclar humor e sexo, embora sua voz ainda soe estranha falando sacanagem, como quase que errado. Isso é uma particularidade minha, não consigo gostar das vozes de TTS Felipe e Ricardo cantando sacanagem, soa quase sempre como um mordomo inglês DE PERSONALIDADE séria dizendo que quer gozar na bucetinha de alguém. Ele pronunciar Dak em vez de Dark também me incomoda, principalmente porque repete muito, mas depois de ouvir a musica umas três vezes começa a soar divertido. 

SEI QUE É ISSO QUE QUER, vemos David Kwon na sua mais pura forma. É prazerosos ouvir artistas e reconhecer sua identidade nas musicas. Ele fala de sacanagem, mas parece também que ele está filosofando, mas aí ele diz "seu cu na minha boca" — que transgressor, né? Mas é uma das faixas mais interessantes do álbum. Em DESPRENDIDOS ele volta a reforçar seu lado ativão, contando suas aventuras de cruising, refletindo sobre os pesares das relações passageiras que se encontra em lugares de pegação, é outro ponto forte do álbum. Em RODEIO, David Kwon chama Beth Thunder para uma parceria. A parte de David Kwon é divertida e pontual, já Beth Thunder interpreta a mulher cis que descobre as coisas que seu marido faz escondido. A musica é divertida. 

Eu tive um pouco de dificuldade de entender o que David cantava em CÉU INVERTIDO. Mas pelo que ouvi, parece uma critica a meritocracia. Essa musica, tirando a sonoridade roqueira, me lembrou as canções de Caos & Gloria, não é uma faixa ruim, principalmente quando você começa a ouvir a voz de David direito. E a diva WAL RIDDLE está em SARGENTO, parceria com David Kwon e Doja Dog, outra faixa muito potente e meio exótica?? Confesso que não entendi algumas frases que o David Kwon falava. Do nada ele dizia "tinta guache", mas a instrumental é tão magnética, que você fica hipnotizado ouvindo. SARGENTO é dark e dançante, misteriosa e traz algo novo e excitante para DARKROOM. 

E o álbum se encerra com morrermaisumavez — não sei se o nome é uma referencia a sua parceria premiada com Caxxandra, mas é mais uma musica com sete minutos, que é até compressível, por ser um disco dance, mas de longe é a faixa que menos gostei, na verdade eu não gostei, o David fica militando no começo da faixa, maior vibe palestrinha do grupo e depois começa a repetir demais as frases enquanto um beat muito bom fica fritando ao fundo. Ela é basicamente a irmã de CÉU INVERTIDO, a composição me lembrou muito as musicas do Caos & Gloria.

VEREDITO

Eu fiquei contente ao ouvir esse álbum, eu gosto mesmo de ouvir artistas TTS (Loquendo, Oddcast, Ivona) quando eles sabem passar sua mensagem, sua personalidade para as vozes. DARKROOM é um acerto. Ele faz David Kwon explorar não apenas novas sonoridades, mas expor lados seus que até então não tínhamos conhecimento e ainda assim ouvimos o David de Caos & Gloria e de Delírio Melancólico ali: mesmo modo de compor, criticas sociais a desigualdade socioeconômica refletem em algumas letras, e aquele jeito meio irritante palestrinha de cantar também aparece as vezes.  Achei que o álbum não foi refinado, as composições e produções pendem pra um lado mais bruto e menos comercial, com algumas exceções, já que a faixa titulo é a musica mais comercial que David já lançara. 

Os pontos positivos do álbum para mim foram: DARKROOM, QUE É ISSO QUE QUER, DESPRENDIDOS, e SARGENTO.   

Pontos negativos: morrermaisumavez  


Capa do Álbum
7.0/10

DARKROOM

David Kwon

2026 • IMPOP
Destaques
DARKROOM QUE É ISSO QUE QUER DESPRENDIDOS SARGENTO
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